Carta para aquela moça

Oi, moça. Você não sabe quem sou eu. Na verdade, acho que sabe, mas a incerteza que fica mesmo é que eu não sei se você sabe que eu sei o que te aconteceu. Confuso. Eu só queria que se sentisse abraçada, mesmo a gente não indo muito com a cara da outra. É que … Continue lendo Carta para aquela moça

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Se não agora…

Quando? E continuará ecoando: ...quando? ...quando? É mesmo uma pergunta legítima ou só mais uma palavra em uma frase de efeito aleatória? Agora? Agora é rápido demais, e gosto de fingir que planejo tudo minuciosamente, porque me dá uma sensação de segurança e um controle que de fato nunca terei. Nem imediatista, nem procrastinadora: Apenas … Continue lendo Se não agora…

Os canalhas também envelhecem

Ele era um senhor de sessenta e poucos anos, simples e falador, provavelmente do interior do estado. Ficava em uma mesinha sem computador ao lado da porta do departamento administrativo, onde eu ia de vez em quando resolver algumas pendências que envolviam meu próprio setor. — Vocês só sabem ficar atrás desse computador aí, não sabem de nada — dizia. — … Continue lendo Os canalhas também envelhecem

Um texto que não era para ser

Escrevi e reescrevi  em minha cabeça dezenas de vezes. Todos eles pareceram frios ou inapropriados ou superficiais ou  amargos ou melancólicos demais — ou todas essas coisas juntas — e eu não queria que fosse apenas mais um lamento cheio de lugares comuns. Na verdade, briguei comigo mesma, com direito a bofetadas mentais e voadoras no âmago, porque apesar de … Continue lendo Um texto que não era para ser

Redenção

Quando abriu os olhos, entrou em desespero. Escuridão. Tentou levantar-se e tatear pelo breu, mas seu corpo não obedeceu. Cabeça, tronco, membros... Todos paralisados, capturados por correntes estreitas, que machucavam e prendiam a circulação. Gritou por socorro. Seu próprio clamor ecoou junto a milhares de outros gritos, em uma dissonância lúgubre. Não havia ajuda. Somente a agonia sufocante. A desesperança. … Continue lendo Redenção